Voz do Seven

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O ATLÂNTICO É DEMASIADO PEQUENO

     
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novembro 07, 2009

O dia de minha mãe

PhotobucketOntem, dia 6 de Novembro, foi o dia de minha mãe.
Levando em conta que na véspera tinha sido o meu dia, digamos que eu fui o presente no seu 34º aniversário. Rica prenda, modéstia à parte. Ontem, se a doença não a tem apoquentado mortalmente há quase três dezenas e meia de anos, minha mãe festejaria 88 anos. Portanto, na altura da partida minha mãe ainda não tinha atingido os 55 anos, tendo assim apenas vivido cinquenta e quatro anos mais oito meses e menos um dia. Atente-se que estas contas tão matemáticas só terão validade se, com muita boa vontade, pudermos chamar vida aos dias, meses ou anos vividos no estágio terminal de uma doença implacável. Porque na realidade, meus caros amigos e amigas, garanto-vos que não é vida, não senhor. Bem, como não temos por costume acrescentar à nossa idade os noves meses que passamos no ventre materno a Natureza parece que trata de os descontar no final da vida.
Ao lembrar-me que anteontem atingi a (citada) idade crítica dos 54 anos, constato (mais uma vez) o quanto faltou viver a minha mãe. Na altura (quando fiquei amputado de mãe) não cheguei a avaliar bem o que era morrer apenas com meio século mais uns trocados. Hoje, c'um raio, apesar de não ambicionar andar por cá eternamente nem sequer outros tantos, acho que se tem por direito viver mais alguns. Não que eu queira fazer algo de extraordinário (não o poso exigir já que não o fiz na altura certa) mas pelo menos queria ver. Não, nada disso que estais a pensar porque apesar de a vista estar a ficar fraca não porto mazela (penso eu de que...) que me possa levar à cegueira assim de um momento para o outro. Este querer ver refere-se a ambicionar ainda andar por cá para ter direito a usufruir. Mas verdade seja dita que aqui não me basta viver, é preciso que outros, principalmente uma terceira pessoa esteja pelos ajustes para satisfazer o desejo de qualquer pai quando começa a envelhecer.
Despeço-me enviando em pensamento as desculpas à Rosa minha mãe por só hoje evocar o seu dia e, nos entretantos, vou tratar de preparar o bacalhau que vai pro forno (e as batatas a murro), afinal tenho que aproveitar e como na Quinta-feira não houve tempo para festas, vou hoje comemorar os meus 54 anos que, curiosamente, quero depressa ultrapassados... idiotices!

Chuva

Chuva calma em momento efervescente de quentes recordações, porque as coisas vulgares que há na vida não deixam saudade... só as lembranças que doem ou fazem sorrir!


novembro 05, 2009

54 anos às costas, ufa...

Hoje, 5 de Novembro, é dia de agradecer a minha mãe, por no ventre me ter trazido e me ter parido, e também dia de lhe pedir desculpa, pelo quanto deve ter sofrido.

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Como nada nem ninguém nasce sem raízes, também eu tenho as minhas, reveladas (embora deveras mui superficialmente) em três etapas da saga A Caminho dos 50.
Para os amigos e curiosos eis então o que escrevi há quatro anos:

ETAPA I – Prólogo   ETAPA II – Antes de mim   ETAPA III – Ei-lo que chega

novembro 04, 2009

Primavera infernal

... ontem o calor apertou (máxima de 36,3º C) e corpos ávidos de tons mais trigueiros não deixaram escapar a oportunidade de se expor ao Sol que raiou forte em céu sem nuvens.
Sol rijo diria Ti Maria lá na mais recôndita das aldeias lusitanas.

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clicar na imagem

Diga-se que a sensação de calor sentida pelos corpos seria superior àquela máxima já que não soprava brisa e a humidade relativa do ar baixou consideravelmente (16%). O estado de alerta foi accionado.
Suando por todos os poros lá tentámos levar a coisa na desportiva e animados até partimos em busca do Allah-la-ô.

novembro 02, 2009

Resultados do Futebol Santacombadense

CAMISOLA PRETA

Resultados do futebol santacombadense no passado fim-de-semana de 31 de Outubro, 1 de Novembro de 2009.
As informações são do nosso repórter Rafael Fernandes. As diversas categorias levam às respectivas classificações no portal zerozero.pt (fora da nossa responsabilidade, como é lógico).

Escolas

O Pinguinzinho

11-0

Pestinhas B

Infantis

O Pinguinzinho

2-1

Molelos

Iniciados

O Pinguinzinho

6-1

Campia

Juvenis

Santacombadense

1-0

Lusitano

Seniores

Santacombadense

2-0

Canas de Senhorim


Dia de Finados

(por cá feriado)

PhotobucketEsta é a lápide que encima a sepultura de meus pais (e de minha avó paterna, acrescente-se). A foto foi feita por um amigo, há mais de ano, Setembro de 2008 como o testemunha o mail que esse mesmo amigo me enviou na altura. Fez a foto, porque eu não a conhecia. Até ao sepultamento de meu pai era outro mármore. Por diversas vezes estive para a colocar no ar, mas nunca o fiz. Não por falta de oportunidade (nem por falta de coragem) já que são muitas as ocasiões que foco aqui meus pais, talvez mais minha mãe é certo, mas porque nunca cheguei a consenso com aquilo que escrevia. Esboçava o texto, mas o produto final não me satisfazia ou porque era demasiado superficial, tipo ir colocar uma vela e um ramo de flores no dia de Todos os Santos à campa dos velhotes, ou porque era demasiado contundente e entrava "pela morte adentro" reflectindo eu depois cá com os meus botões que não tinha o direito de vos incomodar com as minhas dissertações acerca, as quais, admito, fogem consideravelmente dos parâmetros convencionais da sociedade e, registe-se, daqueles que minha mãe me transmitiu. Por exemplo, o ritual do dia de ontem, o da romaria aos cemitérios que, convenhamos, interessa sobremaneira aos especuladores que comercializam as flores. Há muito que tinha deixado de o fazer neste Dia de Todos os Santos preferindo visitar minha mãe em dias marcantes para ela e para mim ou quando a vontade me puxasse: bastava às vezes apaixonar-me por uma rosa no Jardim, surripiá-la sorrateiramente e ir por aí acima juntando-lhe em ramo uma ou outra flor silvestre que encontrava pelo caminho.
Tenho que confessar que as visitas feitas a minha mãe, ao local onde depositaram o corpo inerte de minha mãe, atente-se, sempre ou quase sempre carregaram  um doce e terrível egoísmo da minha parte. Nunca rezei, nunca lhe dediquei uma Ave-Maria ou um Pai-Nosso, e se é verdade que em algumas das vezes (dia de nascimento, dia da Mãe ou dia de falecimento, por exemplo) era para lhe prestar homenagem porque a sua memória me vinha à lembrança, o sentido real da visita era mais para cuidar de mim, do meu desassossego que bem vistas as coisas nunca me largou mas que aprendi a dominar, em parte [se como dizem a alma existe e se esta tem sentimentos, então tenho a certeza que minha mãe está feliz neste preciso momento]. No início cheguei a sentir o sabor salgado das lágrimas tão silenciosas como o silêncio que me rodeava, um silêncio mudo e reconfortante por não ter vivalma por perto e por companhia apenas os que desejam paz. Talvez por tudo isso por não sentir esse sossego à minha volta é que deixei de ir no primeiro de Novembro. Curiosamente e em contradição pura comigo, ontem apetecia-me ir junto à sepultura de minha mãe que há sete anos a esta parte, tantos quantos eu levo de presença no Brasil, é também sepultura de meu pai (e assim penso que está explicada apenas a citação de minha mãe nas linhas acima). Das razões do meu desejo não sei, talvez por ter a fotografia comigo ou, essencialmente, creio, por na Sexta-feira o amigo João me ter dito em conversa (pela internet) que no dia seguinte iria à santa terrinha (reside em Coimbra) enfeitar as sepulturas dos seus familiares. Amavelmente, e em rara prova de amizade, disse-me que colocaria por mim uma flor na sepultura de meus pais. Ontem conversámos novamente. Que esteve com meu irmão mais velho e ainda que os dois cravos que colocou na véspera lá estavam distintos no meio das outras flores com que ornamentaram a sepultura. Não bastava eu já ter aprendido a sepultar meus pais na minha mente, que evita com que eu me desloque ao local físico onde os corpos desceram à terra e assim convencer a minha consciência de que estou sempre presente, quando, por acção de um amigo, afinal eu consegui lá estar na realidade. Obrigado João.



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